
sábado, 20 de março de 2010
Pense BEM

domingo, 14 de março de 2010
O vício do ser humano
quarta-feira, 24 de fevereiro de 2010
Desertor da trincheira do direito

Desertor da trincheira do direito
Miguel Peixoto
A partir desse momento
Não lhe preocupam mais
As lides processuais
Prescrição, depoimento
Queixa crime, julgamento
A sentença e seu efeito
Quem é o juiz do feito
Qual é da súmula o teor
Você é um desertor
Da trincheira do direito
Não impetra mais ação
Data venia não diz mais
Embargos também não faz
Nem faz impugnação
Mandado de injunção
Por você não será feito
Não se declara suspeito
Nem contra nem a favor
Você é um desertor
Da trincheira do direito
Precisa a sociedade
De ação reipersecutória
Ordinária, rescisória
Ou dissecção da verdade
De quem peça a nulidade
Ante o contrato imperfeito
De quem exija o respeito
Ante o agente agressor
Mas você é desertor
Da trincheira do direito
Você correu da tribuna
Não respondeu ao libelo
Em vez de Bernardes Melo
Você hoje lê Fábia Luna
Fala com Ricardo Prona
Não usa disputa ou pleito
Trata de exame e leito
E de vasodilatador
Você é um desertor
Da trincheira do direito
Você trata de embolia
De enxerto arterial
Fala em drenagem pleural
Em estase e isquemia
Já em deontologia
Mostra que o médico é sujeito
Ao código de ética aceito
Ao qual não pode se opor
Você é um desertor
Da trincheira do direito
Sobre Evandro Lins não fale
Um piauiense douto
Não fale em Vilela Souto
Sobre Rui Barbosa cale
Não cite Miguel Reale
Um acadêmico insuspeito
Um jurista de conceito
Poeta e educador
Que você é desertor
Da trincheira do direito
Hoje o que mais o seduz
Não é show, teatro ou cine
É ler Euclides Zerbini
É falar de Oswaldo Cruz
Seu negócio agora é SUS
Angina que ataca o peito
Já está ficando afeito
A tratar com morte e dor
Você é um desertor
Da trincheira do direito
Nem ações nem desavenças
Salvo ações auxiliares
Como as médico-hospitalares
Pela cura das doenças
Nada de acórdãos, sentenças
Ou de juiz contra feito
Ao condenar um sujeito
Por falha do defensor
Você é um desertor
Da trincheira do direito
Nova bandeira desfralda
Dessa vez a da saúde
Mas saiba do ataúde
A vida se desgrinalda
Nada pode a esmeralda
Quando o caso não tem jeito
A morte leva de eito
Qualquer um seja quem for
Até você desertor
Da trincheira do direito
Ao menos guarde o rubi
Esta insígnia vermelha
Que lhe serviu de centelha
No seu tempo de Davi
Lutando aqui e ali
No combate ao preconceito
Disseminando o preceito
Da justiça e do amor
Que você é desertor
Da trincheira do direito
Agora em silêncio

(...)
No mundo de cá, as relações se dão na superfície. Eu fico sobre uma pedra no rio e, enquanto você estiver na outra, saudável, amoroso e alto-astral, nós nos amamos. Se você afundar, eu não mergulho para te dar a mão, eu pulo para outra pedra e começo outra relação superficial. Mas o que pode ser mais arrebatador nesse mundo do que o encontro entre duas pessoas? Para mim, reside aí todo o mistério da vida, a intenção mais genuína de um abraço. Encontrar alguém para encostar a ponta dos dedos no fundo do rio - é o máximo de encontro que pode existir, não mais que isso, nem mesmo no sexo. Encostar a ponta dos dedos no fundo do rio. E isso não é nada fácil, porque existem os dragões do abandono querendo, a todo instante, abocanhar os nossos braços e o nosso juízo. Mas se eu não atravessar isso agora, a minha arte será uma grande mentira, as minhas histórias de amor serão todas mentiras, o meu livrinho será uma grande mentira porque neles o que impera mais que tudo é a lealdade, feito um Sancho Pança atrás do seu louco Dom Quixote, é a certeza de existir um lugar, em algum canto do mundo, onde a gente é acolhido por um grande amigo. É por isso que eu tenho de ir. E porque eu não quero passar a minha existência pulando de pedra em pedra, tomando atalhos de relações humanas. Eu vou mergulhar com o meu amigo, ainda que eu tenha de ficar em silêncio, a cem metros de distância. Eu e o meu boneco de infância, porque no meu mundo a gente não abandona sequer os bonecos que foram nossos amigos um dia.
Agora em silêncio, tentando ensinar dragões a nadar.
Texto atribuído a Rita Apoena.
Texto completo: Link
segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010
O Juramento

Doutores em humilhação
Agredir e insultar um homem a caminho do trabalho é obviamente inaceitável. Pior quando os agressores estudam medicina
Debora Diniz* - O Estado de S.Paulo
O que há de tão grave nessa história, além da injúria racial e da agressão física a um homem inocente a caminho do trabalho? O fato de os três rapazes estudarem medicina. Esses são desvios inaceitáveis para qualquer cidadão, mas particularmente inquietantes quando seus autores são futuros médicos. Há um espaço simbólico reservado ao médico em nossa vida social: a ele cabe o conforto, a escuta e o cuidado. Há uma expectativa de acolhimento universal que não distingue cor, idade, sexo ou religião. Um pacto silencioso de confiança é o que nos move ao entrar em um consultório médico: aquela pessoa de branco diante de nós está ali para cuidar de nosso medo da morte.
Dos médicos se espera mais do que o simples cumprimento das regras fundamentais da cidadania: é preciso uma consciência ética sobre o lugar sagrado que socialmente lhes é reservado. Por isso, não pode haver médicos racistas, sexistas ou violentos. As crenças privadas de um médico são simplesmente seus valores sobre o bem viver, o que não lhes confere nenhuma autoridade para julgar ou reprimir moralmente seus pacientes. Um ginecologista, por exemplo, não tem o direito de expressar suas inquietações homofóbicas ao atender uma paciente lésbica, assim como um obstetra de um hospital público, na ausência de colegas que o substituam em um plantão, deve atender uma mulher com autorização para o aborto legal. Esses encontros atualizam a consciência ética que todo médico deve ter ao exercer a medicina.
O homem da bicicleta foi humilhado pelos três rapazes que acreditavam ser divertido agredir ou assustar pessoas a caminho do trabalho. O exercício da humilhação é um instrumento de poder dos fortes e os médicos são indivíduos com poder sobre o corpo vulnerável de um paciente. Mesmo que não estivessem ainda no exercício da medicina, os rapazes testavam os limites das vantagens conferidas pela desigualdade de classe e de raça que contornam nossa vida social. Se um dia vierem a ser médicos e ainda distantes da consciência ética sobre a dor do outro, eles terão outros homens da bicicleta como pacientes e diante deles expressarão semelhante desprezo. Certamente, não mais os agrediriam com um tapete nas costas, mas com a indiferença pelo sofrimento.
Muito se fala na humanização da medicina e das outras profissões de saúde. Essa expressão é uma forma simples de traduzir alguns dos valores fundamentais que devem acompanhar a formação ética dos futuros médicos. Um bom médico não é apenas aquele que se atualiza nas técnicas e conhecimentos sobre sua especialidade, mas é principalmente aquele que se aproxima de seu paciente e é capaz de entender as sutilezas do seu sofrimento. O reconhecimento do papel simbólico do médico está diretamente relacionado ao exercício desses atributos. Por isso, no sentido mais clássico da expressão, um bom médico exercita a nobreza de caráter.
A expulsão do curso de medicina não deve ser entendida como um ato de vingança ou de duplo castigo. Os rapazes foram submetidos a duas ordens de julgamento. A primeira foi penal e resultou na prisão temporária e no pagamento da fiança pela agressão. A segunda foi ética e anuncia um sinal importante dado por aqueles que se preocupam com a formação dos futuros médicos - há valores fundamentais à consciência ética de um médico e um deles é o respeito ao humanismo. A decisão da faculdade em expulsá-los indica que, apesar da intensa mercantilização da medicina, a ética importa para a formação médica.
Há vários desafios éticos na formação das novas gerações de médicos. O modelo brasileiro de saúde pública se vê continuamente ameaçado pela sedução mercantil da medicina dos desejos, como é o caso das cirurgias estéticas. A medicina deve ser uma prática que reconhece a universalidade da condição humana e não simplesmente o poder de consumo de seus pacientes. O medo da morte e as fragilidades que nos acompanham são parte de nossa condição humana compartilhada e desconhecem qualquer diferença que nos situem como trabalhadores negros ou estudantes brancos de uma faculdade privada.
* Antropóloga, professora da Universidade de Brasília e pesquisadora da Anis: Instituto de Bioética, Direitos Humanos e Gênero
sexta-feira, 12 de fevereiro de 2010
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Reação

quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
sábado, 9 de janeiro de 2010
quinta-feira, 31 de dezembro de 2009
Ano novo, esperança velha

terça-feira, 29 de dezembro de 2009
Into the Wild
segunda-feira, 28 de dezembro de 2009
Sentindo
Sentir alimenta, sentir ensina, sentir aquieta. Fazer é muito barulhento.
Sentir é um retiro, fazer é uma festa. O sentir não pode ser escutado, apenas auscultado. Sentir e fazer, ambos são necessários, mas só o fazer rende grana, contatos, diplomas, convites, aquisições. Até parece que sentir não serve para subir na vida.
Uma pessoa triste é evitada. Não cabe no mundo da propaganda dos cremes dentais, dos pagodes, dos carnavais. Tristeza parece praga, lepra, doença contagiosa, um estacionamento proibido. Ok, tristeza não faz realmente bem pra saúde, mas a introspecção é um recuo providencial, pois é quando silenciamos que melhor conversamos com nossos botões. E dessa conversa sai luz, lições, sinais, e a tristeza acaba saindo também, dando espaço para uma alegria nova e revitalizada. Triste é não sentir nada.
sábado, 26 de dezembro de 2009
quinta-feira, 24 de dezembro de 2009
Parabéns, Loira!

terça-feira, 15 de dezembro de 2009
Chocolate

Uma pesquisa recém-publicada pelo periódico científico Journal of Proteome Research demonstra que o chocolate amargo reduz os níveis dos hormônios do estresse (ex: corticóide, adrenalina) em indivíduos que se sentem muito estressados. Os voluntários do estudo consumiram 40g diários de chocolate com teor de cacau de 74% por duas semanas.
E por que o chocolate tem esse poder de reduzir o estresse? O chocolate, especialmente o amargo, tem propriedades que fazem nosso cérebro apaixonar-se facilmente por ele. É um alimento com alto teor de carboidrato e gordura, com grande poder de estimular nossos centros cerebrais relacionados ao prazer e à sensação de nos sentirmos recompensados. Contém ainda farta concentração de substâncias chamadas de aminas biogênicas (ex: teobromina, feniletilamina, cafeína e tiramina), que também têm alto poder de estimular nossos centros de recompensa, assim como a liberação de neurotransmissores, como dopamina, serotonina e endorfina. O chocolate possui outras substâncias que podem estar associadas ao prazer: triptofano que é precursor do neurotransmissor serotonina e a anandamida que se liga aos mesmos receptores em que a maconha exerce seus efeitos no cérebro. O chocolate ainda faz com que a anandamida produzida pelo nosso próprio cérebro tenha efeito mais duradouro.
Mas os efeitos vão muito além do prazer e da redução do estresse. Sabemos hoje que o consumo de chocolate amargo promove uma série de outros efeitos benéficos ao nosso corpo pelo seu alto teor de flavonóides, as mesmas substâncias que fazem a boa fama dos chás, frutas e verduras. Entre os inúmeros bons efeitos já descritos temos: 1) aumento dos níveis de óxido nítrico, considerado um dos principais combustíveis para a saúde dos nossos vasos sanguíneos; 2) redução da agregação das plaquetas, ação que é igual à da aspirina; 3) aumento dos níveis do HDL – nosso colesterol bom – entre outras ações antioxidantes; 4) redução de marcadores de inflamação – lembrando que aterosclerose é igual a inflamação; 5) redução da resistência à insulina, facilitando sua ação nas células; 6) aumento do fluxo sanguíneo periférico (nos membros) e nas artérias do coração; 7) redução da pressão arterial;
aumento do fluxo sanguíneo cerebral e/ou atividade neuronal durante uma tarefa cognitiva. E os efeitos chegam até à pele, com aumento de sua microcirculação sanguínea e maior nível de fotoproteção.
Vale lembrar que não é fácil adaptar 50-100g de chocolate diários em nosso cardápio devido ao seu alto valor calórico. A boa notícia é que muitos estudos revelaram efeitos positivos do chocolate amargo mesmo em baixas doses, como um a dois quadradinhos por dia.
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Fonte: ConsCiência no Dia-a-Dia
sexta-feira, 11 de dezembro de 2009
Rotina

Descobri o romantismo que há no dia a dia. Sou um bicho feito de pura rotina.
Gosto de acordar cedo e ver que o dia vai ser cheio. Me enche de entusiasmo mais que uma viagem a Veneza.
Gosto de banho gelado e de café bem quente. Prepara meu corpo e minha alma pra batalha do dia.
Gosto de aprender a ciência que estudo. O medo da responsabilidade que ela me dá é desafiador.
Gosto de almoçar com os amigos, ou receber uma mensagem pelo celular. Me emociona mais que um lindo presente.
Gosto de viver ocupado. Me traz paz de espírito maior que um retiro aos recônditos do mundo.
Gosto de saber que no final do dia estarei ao lado de quem eu prezo. Me conforta o coração.
Gosto de ter certeza que Deus está comigo em todos os meus passos. Me dá ânimo pra seguir em frente.
Gosto de jantar acompanhado de um bom papo. Me seduz mais que mil beijos.
Descobri que ser romântico é ver na rotina um jantar à luz de velas.







